A detração nasce quando a língua revela
as faltas alheias sem justa necessidade,
e espalha, entre murmúrios e suspeitas,
as sombras que ferem a honra e a dignidade.
Uma palavra pode destruir em poucos instantes
a confiança que levou anos para florescer.
A boa fama é um bem que merece respeito,
um patrimônio invisível da vida humana;
não se deve manchá-la por conversas imprudentes,
nem transformar a fraqueza em condenação.
Pois quem expõe o defeito sem motivo legítimo
pode ferir uma alma sem perceber a extensão.
Nem toda verdade precisa ser divulgada,
nem todo erro deve tornar-se notícia;
a prudência nos ensina a guardar o que é justo,
e a caridade nos afasta da maledicência.
Quando a palavra não serve ao bem ou à justiça,
o silêncio pode ser um gesto de consciência.
A detração rouba mais que a tranquilidade:
pode destruir amizades, vínculos e oportunidades;
deixa marcas profundas na vida de quem é julgado,
alimentando injustiças, desprezo e hostilidade.
Deus conhece o coração para além das aparências,
e nos chama a proteger a honra e a verdade.
Que nossos lábios não sejam instrumentos de feridas,
nem nossas conversas, tribunais de acusação;
que a boa fama seja defendida com justiça,
e a verdade pronunciada com amor e compaixão.
Pois quem respeita a dignidade do próximo
faz da palavra um caminho de paz e reconciliação.