Pela misericórdia e pela verdade
expia-se a iniquidade —
não pelo peso da culpa que esmaga,
mas pela luz que revela a ferida
e pela ternura que decide curá-la.
A misericórdia não nega o erro,
ela o envolve como um bálsamo quente
sobre a pele fria do arrependimento;
a verdade não humilha,
apenas chama cada coisa pelo seu nome.
Há pecados que gritam na memória,
como ecos num vale escuro;
mas quando a verdade os visita
e a misericórdia os abraça,
o vale aprende novamente a florescer.
E pelo temor do Senhor —
não o medo servil,
mas o assombro de quem ama —
o coração encontra direção
e os pés escolhem outro caminho.
Desviar-se do mal é um gesto silencioso,
um passo que ninguém aplaude,
mas que o céu inteiro reconhece;
é quando a alma, tocada por graça e verdade,
decide finalmente voltar para casa.
Cf. Pv 16,6.