Se preocupar com os outros
é um gesto que nasce de dentro,
como fonte que só transborda
quando está cheia.
Não se tira água de um poço seco.
Há quem queira salvar o mundo
com o coração em ruínas,
estendendo mãos trêmulas
enquanto ignora as próprias feridas
abertas no silêncio.
Cuidar de si não é egoísmo,
é fundamento.
É fortalecer as colunas da alma
para que o teto não desabe
sobre quem busca abrigo em você.
Quem aprende a repousar em si
descobre que o amor começa
no território íntimo do próprio ser,
onde a culpa cede espaço
à responsabilidade serena.
Preocupe-se consigo primeiro,
não para fechar-se ao mundo,
mas para abrir-se inteiro.
Só quem está bem consegue amar
sem se perder no outro.