terça-feira, 3 de março de 2026

Entre o Preço e o Nada


A imagem dos meus pecados me comove
mais do que o madeiro erguido no alto do mundo.
Não é o sangue que escorre da cruz
que primeiro me atravessa,
mas a memória das minhas escolhas.

Diante do Cristo crucificado
sou tentado a me engrandecer em silêncio,
como quem calcula o preço de um resgate
e conclui apressadamente:
“Se custou tanto, é porque valho muito.”

Mas diante dos meus pecados
eu me apequeno sem defesa.
Vejo as moedas pelas quais me vendi,
os aplausos vazios, os desejos passageiros,
os nadas que abracei como se fossem tudo.

Ele me compra com todo o Seu sangue,
com uma entrega sem reservas,
e eu me negocio por migalhas,
troco eternidade por instantes,
verdade por conveniência.

Entre o preço que Ele paga
e o preço pelo qual me vendo,
descubro o abismo que me habita.
E é Nele, não na cruz distante,
que começo a entender quem eu sou.