Deixe que falem.
Que montem versões de mim
com pedaços de silêncio
e conclusões apressadas
costuradas pela imaginação.
Cada pessoa cria um espelho
onde vê não quem eu sou,
mas aquilo que carrega por dentro:
medos, suspeitas, histórias antigas
que nunca tiveram coragem de curar.
Não é meu dever
endireitar narrativas tortas,
nem perseguir boatos
como quem tenta segurar o vento
com as mãos abertas.
A verdade não grita nas praças,
ela caminha quieta
no tempo que revela tudo
e desmancha, um por um,
os castelos feitos de rumor.
Eu sigo.
Porque a paz de quem sabe quem é
vale mais que a fadiga
de lutar contra histórias