Há pessoas que escutam a sua história
como quem recolhe pedras do caminho.
Parecem ouvir com silêncio e atenção,
mas guardam cada dor
como quem prepara uma arma.
Quem conhece suas feridas
conhece também onde você sangra.
E quando o coração errado segura essa verdade,
a memória vira lâmina
e a confiança vira armadilha.
Por isso é preciso discernimento.
Nem todo ouvido é abrigo,
nem todo abraço é refúgio.
Há confissões que devem nascer
apenas onde mora a misericórdia.
Expor a alma é um ato sagrado.
É rasgar o peito diante de alguém
esperando cuidado, não julgamento.
Mas a perversidade transforma fragilidade
em munição.
Aprenda, então, a escolher os lugares do coração.
Saiba diante de quem você chora,
diante de quem você se abre.
Porque há pessoas que curam feridas…
e há outras que aprendem onde cortar.