sábado, 25 de abril de 2026

O Peso que se Aprende a Soltar


Você não precisa ser muralha o tempo todo,
nem guardar no peito cada vento contrário.
Há dores que não foram feitas para ficar,
há fardos que não nasceram com o seu nome,
e ainda assim você insiste em carregá-los.

Existe uma coragem silenciosa no ato de soltar,
uma espécie de fé que não faz barulho,
mas rompe correntes invisíveis.
Soltar não é desistir da vida,
é escolher não desistir de si.

Quantas vezes você confundiu força com rigidez,
quando, na verdade, era o cansaço disfarçado?
Ser forte também é reconhecer o limite,
é permitir que as mãos se abram
quando já não conseguem mais sustentar o mundo.

Há alívio esperando do outro lado da entrega,
há paz escondida no gesto de confiar.
Nem tudo precisa de controle,
nem toda resposta precisa nascer agora,
nem toda dor precisa ser enfrentada sozinho.

Cuide-se como quem aprende a respirar de novo,
devagar, sem pressa de ser inteiro.
Porque, às vezes, o que te salva
não é o quanto você suporta,
mas o quanto você permite ir embora.