Há palavras que sobem ao tribunal como promessa,
vestidas de dever, seladas por juramento,
mas algumas se desviam no caminho,
negam a verdade que conhecem
e constroem abismos com a própria voz.
O falso testemunho não é apenas mentira,
é ruptura da justiça em seu ponto mais frágil,
quando quem devia iluminar obscurece,
e quem devia servir à verdade
se torna instrumento de condenação.
Há também acusações lançadas como veneno,
denúncias erguidas sem raiz no real,
que ferem não só o homem, mas o sagrado,
e maculam a confiança depositada
naqueles que deveriam guardar a integridade.
A calúnia, quando sobe aos mais altos lugares,
não permanece leve nem sem resposta,
pois exige reparação, pede justiça,
e chama o culpado a restaurar o que feriu,
diante dos homens e diante de Deus.
Não dirás falso testemunho contra o teu próximo,
porque a verdade não é apenas palavra — é dever,
e todo aquele que a trai, cedo ou tarde,
encontra o peso do que disse
retornando sobre si como sentença.
Cf. Dt, 5,20; Cân. 1390; CP Art. 342.