A desculpa chegou mansa,
como chuva fina depois da tempestade.
Foi ouvida sem gritos, sem vingança,
mas nem toda paz
abre novamente os caminhos antigos.
O perdão nasceu sincero,
limpo como quem solta um peso das mãos.
Ainda assim, o convívio se afastou devagar,
porque existem ausências
que também são formas de cuidado.
A ferida deixou de sangrar,
embora a cicatriz permanecesse acordada.
O coração compreendeu, enfim,
que aprender uma lição
às vezes custa a presença de alguém.
A porta fechou sem ódio,
sem barulho, sem promessas de retorno.
Não foi castigo,
foi apenas o limite necessário
para que a alma voltasse a respirar.
E assim a história terminou,
não com desprezo, mas com maturidade.
Há finais que não nascem da falta de amor,
mas da coragem silenciosa
de não permitir que a dor volte a morar dentro de casa.