Quanto mais o tempo caminha sobre meus ombros,
mais compreendo os passos lentos dos que se retiram.
Não por desprezo das pessoas,
mas pelo cansaço das máscaras
e do ruído que habita as multidões.
Há uma sabedoria escondida
naqueles que falam pouco
e observam muito.
Aprenderam que nem toda batalha merece resposta
e que algumas dores amadurecem em silêncio.
O mundo exige pressa, aparência e espetáculo,
mas a alma envelhecida deseja sombra e quietude.
Prefere o canto simples da tarde,
o café esquecido sobre a mesa,
e a paz de não precisar provar nada a ninguém.
Os anos ensinam que o recolhimento
não é solidão amarga,
mas abrigo.
Um lugar onde o coração repousa
das tempestades criadas pelos homens.
E assim, pouco a pouco,
o silêncio deixa de ser vazio
e torna-se companhia.
Porque há maturidades que florescem distantes do barulho,
como árvores antigas crescendo longe das estradas.