quarta-feira, 6 de maio de 2026

A Segunda Luz


Ele veio como silêncio entre as dores do mundo,
carregando no corpo o peso que não era seu,
um cordeiro sem grito, mas cheio de eternidade,
rasgando o véu da culpa com o próprio sangue,
e fazendo da cruz um caminho de volta.

Não houve repetição no seu gesto entregue,
foi único, completo, definitivo como o amor verdadeiro,
um ato que ecoa além do tempo e da história,
onde o pecado perde o nome e a força,
e a graça encontra morada no coração humano.

Agora o mundo caminha entre sombras e espera,
como quem escuta passos que ainda não chegaram,
mas sente no peito a promessa viva,
de que o mesmo Cristo que partiu em dor,
voltará em glória, sem carregar feridas de culpa.

E não virá para refazer o que já foi consumado,
nem para disputar com o erro já vencido,
mas como luz pura, sem peso de pecado,
para encontrar os olhos que aprenderam a esperar,
e os corações que resistiram na esperança.

Então será encontro, não julgamento,
será abraço, não distância,
salvação como casa finalmente aberta,
onde o tempo se curva diante da eternidade,
e o amor, enfim, será tudo em todos.

Cf. Hb 9,28.