Muitas vozes nasceram do vazio,
como folhas secas levadas por ventos inquietos.
O coração humano começou a fabricar fantasmas,
e pensamentos sem raiz tornaram-se muralhas
erguidas contra a luz e contra a verdade.
Rumores caminharam pelas cidades
como fumaça escura cobrindo os olhos do povo.
As palavras perderam o peso da justiça,
e a mentira, repetida muitas vezes,
passou a vestir-se como sabedoria.
Havia inquietação em cada esquina da alma,
um ruído constante perturbando os espíritos.
Satanás soprava sementes de divisão,
fazendo irmãos desconfiarem uns dos outros,
e endurecendo os sentimentos mais frágeis.
O bem tornou-se alvo de zombaria,
e aquilo que anunciava esperança foi rejeitado.
Muitos fecharam as portas do coração,
preferindo o eco das trevas familiares
ao chamado silencioso da verdade.
Mas ainda havia uma chama escondida,
pequena e viva no meio da noite.
Ela resistia às sombras e aos rumores,
porque a verdade não morre no tumulto,
e a luz continua nascendo entre os homens.
Cf. Hel 16,22