Posicionar-se é atravessar uma ponte estreita,
deixando para trás vozes que antes pareciam abrigo.
Nem todos compreendem a mudança do caminho,
e alguns permanecem na margem, observando de longe
aquele que decidiu continuar.
Dói perceber que certas companhias
caminhavam ao lado apenas enquanto tudo era conveniente.
Quando a verdade ganha forma e direção,
muitos se afastam em silêncio,
como folhas levadas pelo vento da estação.
Também é necessário despedir-se dos velhos hábitos,
das máscaras construídas para agradar e pertencer.
Aquilo que antes parecia proteção
revela-se uma prisão discreta,
incapaz de acompanhar o crescimento da alma.
Há ainda a difícil renúncia às versões antigas de si mesmo,
aos medos que definiam escolhas e limites.
Cada passo adiante exige coragem,
como quem troca a segurança do conhecido
pela promessa de algo maior.
Mas o que se perde no caminho não se compara
ao que se encontra do outro lado da decisão.
Ao assumir sua própria verdade,
a pessoa reencontra a identidade que lhe foi confiada
e volta a ser aquilo para o qual foi criada.