Há quem bata à porta com palavras suaves,
trazendo nos lábios o pedido de desculpa,
mas sem carregar nas mãos o peso da reparação.
Desejam entrar novamente na casa,
sem antes cuidar das rachaduras que deixaram.
O perdão verdadeiro caminha devagar,
reconhece o estrago, recolhe os cacos,
aceita a responsabilidade pelo sofrimento causado
e não exige atalhos para voltar ao lugar de antes.
Ele compreende que a confiança tem seu próprio tempo.
Alguns, porém, confundem arrependimento com conveniência.
Lamentam a porta fechada,
mas não a dor que provocaram.
Sentem falta do acesso perdido,
não da paz que ajudaram a destruir.
Por isso, a prudência também é uma virtude.
Perdoar não significa ignorar os sinais,
nem entregar novamente as chaves do coração
a quem apenas mudou o discurso,
mas não transformou as atitudes.
Observe menos as palavras e mais os caminhos.
A sinceridade floresce em ações constantes.
Quem realmente deseja reparar um dano
não busca apenas recuperar um lugar em sua vida,
mas restaurar a dignidade que feriu.