Curar não é apagar as páginas escritas pela dor,
nem fingir que as lágrimas nunca existiram.
É olhar para as cicatrizes sem desviar os olhos
e compreender que a história vivida
não precisa determinar a história que virá.
O passado permanece onde sempre esteve,
guardado nos corredores da memória.
Mas chega um dia em que a alma decide
que suas antigas correntes não terão mais força
para prender os passos do presente.
Há feridas que tentam governar o amanhã,
sussurrando medos, dúvidas e desconfianças.
Contudo, a cura nasce quando o coração percebe
que a dor pode ensinar lições valiosas
sem ocupar o trono da própria vida.
Não é esquecer quem feriu,
nem negar os caminhos difíceis percorridos.
É recuperar a liberdade de escolher,
sem que velhas sombras ditem cada decisão
ou roubem a beleza dos novos horizontes.
Então a cicatriz deixa de ser uma prisão
e torna-se apenas uma lembrança de superação.
O que antes era peso transforma-se em sabedoria,
e o futuro, finalmente livre das amarras da dor,
abre suas portas para a esperança caminhar.