Às vezes você olha para o vazio das próprias mãos
e pensa que a vida esqueceu de lhe entregar algo,
como se o tempo tivesse passado por você em silêncio,
sem deixar sinais, sem cumprir promessas,
como se houvesse um atraso no seu destino.
Mas há um segredo que o espelho não revela:
você tem sido resposta onde outros só tinham perguntas,
tem sido abrigo onde havia tempestade,
luz acesa em quartos onde ninguém mais acreditava,
milagre discreto que não faz barulho.
Enquanto você espera por algo extraordinário,
alguém agradece por ter cruzado o seu caminho,
alguém respira melhor por causa da sua presença,
alguém encontrou sentido onde antes era só dor,
e você nem percebeu o quanto mudou aquele dia.
Nem toda bênção chega como presente nas mãos,
algumas nascem em você e se espalham pelo mundo,
sem anúncio, sem aplauso, sem reconhecimento,
mas carregadas de um valor que não se mede,
porque transformam vidas sem pedir nada em troca.
Talvez o que você chama de ausência
seja, na verdade, excesso de entrega,
e aquilo que você esperava receber
já tenha sido dado através de você —
pois, às vezes, você é a coisa boa que acontece com os outros.