Há vozes que falam alto sobre a verdade,
mas carregam a mentira escondida nos lábios.
Palavras vestidas de virtude caminham pelas praças,
enquanto o coração se acostuma
a não corar diante do erro.
A hipocrisia aprende a usar máscaras sagradas,
recita discursos que parecem justos,
mas por trás da aparência há silêncio moral,
uma alma que já não treme
diante do peso da própria falsidade.
Mentiras repetidas tornam-se rotina,
como se a consciência fosse um metal em brasa
que, depois de queimado tantas vezes,
perde a sensibilidade
e já não sente mais a dor da culpa.
Assim nascem os homens de olhar tranquilo
e palavras suaves,
que falam de luz enquanto caminham na sombra,
convencidos de que ninguém percebe
o vazio que carregam por dentro.
Mas a verdade não morre no barulho das mentiras.
Ela permanece como chama silenciosa,
esperando o dia em que até a consciência cauterizada
recordará, ainda que tarde,
o que significa voltar a sentir.
Cf. 1Tm 4,2.