Não adianta repetir versículos
como quem recita mapas de um lugar
onde nunca pisou;
a fé que não atravessa a sala
morre antes de chegar à mesa.
Há palavras que soam santas
mas não suportam o peso do outro,
não acolhem o rosto diferente,
não escutam o silêncio
de quem carrega outra verdade.
Conhecer de cor não é conhecer de dentro,
não é rasgar o próprio orgulho,
nem repartir o pão com quem discorda,
nem sustentar o olhar
sem transformar o outro em inimigo.
A mesa é altar e espelho,
e nela não cabem apenas certezas,
mas também a humildade
de quem ainda está aprendendo
a amar sem vencer discussões.
Porque no fim, mais que saber,
é preciso permanecer;
e permanecer, às vezes,
é sentar-se ao lado do diferente
e não se levantar em guerra.