A palavra nasce leve,
mas nas mãos do perverso
ganha peso de pedra
e atravessa o silêncio
como se fosse verdade.
Ele não grita — sussurra,
e no sussurro constrói labirintos,
onde a confiança se perde
e o nome do outro
ecoando, já não é o mesmo.
A difamação não corta a carne,
mas dilacera a memória dos encontros,
envenena olhares,
e transforma rostos amigos
em juízes silenciosos.
Há um tipo de violência
que não deixa marcas no corpo,
mas apaga histórias inteiras
com a tinta escura
da mentira repetida.
E ainda assim, a verdade resiste,
mesmo ferida, mesmo desacreditada,
como luz que insiste em nascer
por entre as frestas
de um mundo que quase a esqueceu.
Cf. Pv 16,28.