sexta-feira, 24 de abril de 2026

A Palavra que Condena


Há palavras que não nascem do erro,
mas da intenção fria de ferir,
vestidas de verdade que não possuem,
lançadas como sentença antes do julgamento,
ecoando nos corredores da injustiça.

A calúnia não é apenas som,
é lâmina invisível que corta reputações,
é crime que não sangra aos olhos,
mas corrói por dentro quem a recebe,
e envenena quem a pronuncia.

Sem afeição natural, caminham entre nós,
rostos comuns, corações endurecidos,
implacáveis naquilo que inventam,
como se a mentira fosse um direito
e a dor alheia, um detalhe irrelevante.

São caluniadores de espírito inquieto,
incontinentes no falar, cruéis no agir,
inimigos do bem que não compreendem,
pois a verdade lhes pesa
e a justiça lhes incomoda.

Mas toda palavra lançada encontra destino,
e todo juízo falso encontra resposta no tempo,
porque acima das vozes humanas
permanece a verdade intacta —
silenciosa, firme, e inevitável.

Cf. 2Tm 3,3. CP Art. 138.