Há palavras que não nascem do erro,
mas da intenção fria de ferir,
vestidas de verdade que não possuem,
lançadas como sentença antes do julgamento,
ecoando nos corredores da injustiça.
A calúnia não é apenas som,
é lâmina invisível que corta reputações,
é crime que não sangra aos olhos,
mas corrói por dentro quem a recebe,
e envenena quem a pronuncia.
Sem afeição natural, caminham entre nós,
rostos comuns, corações endurecidos,
implacáveis naquilo que inventam,
como se a mentira fosse um direito
e a dor alheia, um detalhe irrelevante.
São caluniadores de espírito inquieto,
incontinentes no falar, cruéis no agir,
inimigos do bem que não compreendem,
pois a verdade lhes pesa
e a justiça lhes incomoda.
Mas toda palavra lançada encontra destino,
e todo juízo falso encontra resposta no tempo,
porque acima das vozes humanas
permanece a verdade intacta —
silenciosa, firme, e inevitável.
Cf. 2Tm 3,3. CP Art. 138.