quinta-feira, 23 de abril de 2026

Longe das Vozes que Corroem


Não caminhes ao lado de quem vive de espalhar pedaços dos outros,
como se a vida alheia fosse alimento para conversas vazias,
pois há palavras que não apenas passam —
elas permanecem, ferindo em silêncio.

Afasta-te de quem transforma segredos em espetáculo,
de quem encontra prazer na queda do irmão,
porque a confiança não sobrevive
onde a língua se acostuma a trair.

Não te unas a rodas onde o nome do próximo é dilacerado,
nem consintas com tramas tecidas na ausência de quem não pode se defender,
pois toda cumplicidade com a injustiça
marca também aquele que se cala por conveniência.

Escolhe o caminho dos que preservam,
dos que sabem que dignidade não se negocia,
e que a verdade não precisa de adornos
para permanecer de pé.

Assim viverás em paz entre os teus,
longe das vozes que corroem e dividem,
fazendo do teu silêncio abrigo
e da tua palavra, lugar seguro.

Cf. Lv 19,16.