Não caminhes ao lado de quem vive de espalhar pedaços dos outros,
como se a vida alheia fosse alimento para conversas vazias,
pois há palavras que não apenas passam —
elas permanecem, ferindo em silêncio.
Afasta-te de quem transforma segredos em espetáculo,
de quem encontra prazer na queda do irmão,
porque a confiança não sobrevive
onde a língua se acostuma a trair.
Não te unas a rodas onde o nome do próximo é dilacerado,
nem consintas com tramas tecidas na ausência de quem não pode se defender,
pois toda cumplicidade com a injustiça
marca também aquele que se cala por conveniência.
Escolhe o caminho dos que preservam,
dos que sabem que dignidade não se negocia,
e que a verdade não precisa de adornos
para permanecer de pé.
Assim viverás em paz entre os teus,
longe das vozes que corroem e dividem,
fazendo do teu silêncio abrigo
e da tua palavra, lugar seguro.
Cf. Lv 19,16.