Há quem não viva a verdade,
mas o ambiente que respira,
mede o tom das vozes ao redor,
e se ajusta em silêncio
para caber onde for possível.
Observa, calcula, sente o clima,
dobra palavras, suaviza convicções,
não para amar mais, mas para evitar confronto,
não para edificar, mas para permanecer aceito,
até que já não saiba quando começou a se perder.
Por fora tudo parece alinhado,
a fala é correta, o gesto é adequado,
diante de Deus aparenta firmeza,
mas basta o cenário mudar
e a essência se dissolve na conveniência.
Isso não é maturidade,
é ausência de transformação,
porque quem foi transformado permanece,
mesmo quando o ambiente pressiona,
mesmo quando o preço é ser rejeitado.
E o cansaço chega, não no corpo, mas na alma,
um peso invisível de múltiplas versões,
um eco vazio onde deveria haver identidade,
até que, no silêncio onde ninguém vê,
resta a pergunta: quem sou eu, de verdade?