Antes de me julgar,
encare o escuro que me habitou,
não era só tristeza — era ausência de tudo,
um vazio que engolia até o sentido de existir,
um silêncio que sussurrava que eu não fazia falta.
Eu desci onde a luz não alcança,
onde respirar pesa mais que viver,
onde cada pensamento é uma queda sem fim,
e o próprio coração parece cansado de bater,
como se desistir fosse descanso.
Houve um dia em que quase não voltei,
em que a dor parecia ter vencido,
em que a ideia de desaparecer soava como alívio,
e lutar parecia um esforço sem sentido,
um grito mudo que ninguém escutava.
Mas algo, ainda que pequeno, resistiu,
um fio quase invisível me segurou,
no meio do abismo, escolhi ficar,
não por força, mas por um sopro de esperança,
tão frágil que mal se podia tocar.
Então, antes de apontar meus passos,
tente carregar esse peso por um instante,
sinta o cansaço de existir sem querer existir,
e só depois fale de fraqueza ou coragem,
porque levantar-se assim… é renascer ferido.