Há palavras que não buscam diálogo,
mas a queda do outro diante dos olhos,
ferem não o corpo, mas o nome,
atingem o íntimo onde mora a dignidade,
e deixam marcas que não se veem.
A injúria nasce do desprezo,
do impulso que não mede consequência,
é fogo breve na boca de quem fala,
mas incêndio longo na alma de quem recebe,
ecoando onde o silêncio não alcança.
Ofender o decoro é rasgar o invisível,
é tocar o que sustenta o ser por dentro,
é reduzir o outro a menos do que é,
como se a honra pudesse ser retirada
por quem nunca a compreendeu.
E há um clamor que sobe em meio à dor,
não por vingança cega, mas por justiça,
um grito que confia no alto:
que a medida da ofensa encontre resposta,
não nas mãos humanas, mas no juízo reto.
Pois toda injúria lançada retorna,
não como repetição vazia,
mas como verdade que se impõe,
e no tempo certo revela
quem feriu — e quem permaneceu de pé.
Cf. Sl 79,12; Mt 5,11; Lc 6,22. CP Art. 140.