Há um limite invisível entre as pessoas,
um território sagrado que não se invade,
feito de nome, história e silêncio,
onde a dignidade repousa
como algo que não pode ser violado.
A boa fama não é ornamento,
é fruto de vida, de passos e escolhas,
e feri-la injustamente
é rasgar aquilo que o tempo construiu
com esforço e verdade.
Também a intimidade guarda mistérios,
lugares onde só a consciência entra,
e quem ousa violá-la sem direito
não apenas observa—profana,
como quem pisa em solo santo.
Não levantarás falso testemunho,
pois a mentira dita contra o outro
não termina em quem a escuta,
ela retorna, pesa, revela,
e expõe o coração de quem a lançou.
E assim permanece a justiça mais alta:
não tudo o que pode ser dito deve ser dito,
nem tudo o que se sabe deve ser exposto,
porque há verdades que protegem a vida
e silêncios que salvam a honra.
Cf. Êx 20,16. Cân. 220.