Há quem abrace a morte
não por amar o fim,
mas por compreender
que toda entrega verdadeira
faz nascer um horizonte invisível.
Os que guardam a própria vida
como quem tranca água nas mãos,
acabam sufocados pelo medo
de perder aquilo
que nunca puderam possuir.
Aquele que aceita a travessia
aprende a caminhar leve,
porque descobriu que o amor
vale mais que a permanência
de um corpo cansado pelo tempo.
Muitos morrem ainda respirando,
presos ao orgulho,
ao ego,
às correntes douradas
das falsas seguranças da terra.
Mas vivem os que sabem partir,
os que transformam dor em esperança,
e fazem da própria renúncia
uma semente silenciosa
plantada no coração da eternidade.