quinta-feira, 28 de maio de 2026

O Banquete da Esperança


Prossegui com firmeza em Cristo,
mesmo quando os ventos do mundo
tentarem apagar a chama da tua fé.
Há caminhos que só os perseverantes enxergam,
e promessas que apenas os fiéis alcançam.

Tende um perfeito esplendor de esperança,
não a esperança frágil dos homens,
mas aquela que nasce do céu
e permanece acesa
mesmo nas noites mais silenciosas da alma.

Amai a Deus acima de todas as coisas,
e amai também cada ser humano,
pois quem aprende a amar verdadeiramente
transforma o próprio coração
em morada viva da graça divina.

Banqueteai-vos com a palavra de Cristo,
como quem encontra água no deserto
e pão em meio à fome do espírito.
Cada ensinamento do Senhor
é luz derramada sobre os passos cansados.

E se perseverardes até o fim,
sem abandonar a esperança,
sem negar o amor,
o Pai vos receberá em Sua eternidade,
onde a vida não termina e a paz jamais se apaga.

Cf. 2Né 31,20.

A Palavra que Fere Também Julga


Não falarás mal de teu próximo,
porque toda palavra lançada ao vento
encontra caminho de volta ao coração.
A língua pode ser espada escondida
ou ponte silenciosa de misericórdia.

Não lhe farás mal algum,
nem com as mãos, nem com os olhos,
nem com o veneno discreto das calúnias.
Há dores que não deixam marcas na pele,
mas rasgam lentamente a alma humana.

Quem aprende a amar vigia os próprios lábios,
pois sabe que a maledicência
é sombra que cresce no escuro do orgulho.
O homem sábio prefere o silêncio honesto
à vitória construída sobre a humilhação do outro.

Bem-aventurado aquele que protege a honra alheia,
mesmo quando possui razões para ferir.
Porque a bondade verdadeira
não nasce da ausência de conflitos,
mas da escolha de não devolver o mal recebido.

E quando o coração vence a tentação da ofensa,
o espírito encontra descanso.
A paz floresce onde houve compaixão,
e Deus habita silenciosamente
naqueles que transformam palavras em luz.

Cf. D&C 42,27.

Quando o Coração Aprende a Discernir

Antes de vacilar comigo, lembre-se:
o Senhor ensinou que devemos perdoar sempre,
e eu perdoarei, porque não desejo carregar amargura na alma.
Meu coração prefere a misericórdia
ao peso sombrio do ressentimento.

Mas há feridas que transformam os caminhos.
Assim como muitos endureceram o coração
depois das mentiras, contendas e perseguições,
também a confiança, quando quebrada,
já não retorna com a mesma pureza.

Não confundas perdão com permanência.
Os profetas ensinaram que a sabedoria
também consiste em discernir os frutos das pessoas.
Quem semeia dor e engano
não pode esperar colher a mesma intimidade de antes.

O espírito pode continuar manso,
mas a alma aprende a vigiar suas portas.
Há amizades que se tornam apenas lembranças,
como povos que um dia caminharam unidos
e depois seguiram por estradas diferentes.

Ainda desejarei paz ao teu caminho,
e pedirei ao Grande Espírito que te ilumine,
mas nunca mais encontrarás em mim
a mesma inocência, a mesma entrega,
nem o mesmo abrigo que um dia te ofereci.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

A Vigilância do Coração


Que a comunidade vigie seus próprios passos,
como quem acende uma lâmpada na noite
para não tropeçar nas sombras da língua
nem permitir que o veneno das palavras
faça morada entre irmãos.

Que não floresça a iniquidade escondida
sob o véu da aparência piedosa;
nem o orgulho endureça os gestos,
transformando o abraço em distância
e a fraternidade em muro silencioso.

Que a aspereza não encontre abrigo
na voz que deveria consolar;
pois há palavras que ferem mais fundo
do que pedras lançadas em praça pública,
e há silêncios que salvam mais do que discursos.

Que mentiras, maledicências e calúnias
não caminhem pelos corredores da fé
como sombras disfarçadas de verdade;
porque toda difamação destrói lentamente
o rosto humano refletido diante de Deus.

E que cada alma aprenda a guardar o próximo,
não como juiz, mas como irmão;
para que a igreja permaneça limpa de injúrias,
e o amor seja mais forte que o rumor,
mais eterno que toda injustiça humana.

Cf. D&C 20,54.

domingo, 24 de maio de 2026

O Silêncio dos Anos


Quanto mais o tempo caminha sobre meus ombros,
mais compreendo os passos lentos dos que se retiram.
Não por desprezo das pessoas,
mas pelo cansaço das máscaras
e do ruído que habita as multidões.

Há uma sabedoria escondida
naqueles que falam pouco
e observam muito.
Aprenderam que nem toda batalha merece resposta
e que algumas dores amadurecem em silêncio.

O mundo exige pressa, aparência e espetáculo,
mas a alma envelhecida deseja sombra e quietude.
Prefere o canto simples da tarde,
o café esquecido sobre a mesa,
e a paz de não precisar provar nada a ninguém.

Os anos ensinam que o recolhimento
não é solidão amarga,
mas abrigo.
Um lugar onde o coração repousa
das tempestades criadas pelos homens.

E assim, pouco a pouco,
o silêncio deixa de ser vazio
e torna-se companhia.
Porque há maturidades que florescem distantes do barulho,
como árvores antigas crescendo longe das estradas.